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Reserva de emergência: com juros baixos, onde é melhor deixar esse dinheiro

Júlia Mendonça

24/02/2020 04h00

A reserva de emergência é uma das aplicações mais importantes para quem deseja ter uma vida tranquila. Mesmo para aqueles que não investem, ter uma reserva de emergência é essencial para evitar dívidas decorrentes dos problemas da vida.

Com a baixa da taxa básica de juros (taxa Selic) nos últimos meses, muita gente ficou em dúvida em relação ao melhor investimento para guardar o dinheiro da reserva de emergência. Todas as opções de aplicação convencionais para esse fim diminuíram sua rentabilidade junto com a taxa Selic. Será que é hora de pensar em outros investimentos para essa finalidade? É isso que vou descomplicar neste post de hoje.

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Investimento mais importante

Antes de tudo, tenho um alerta. Não importa em quanto vai estar a taxa de juros, não importa o quanto as ações ou os fundos imobiliários vão render. Nada disso muda o fato de que você precisa ter uma reserva de emergência.

Eu sempre falo que ela é um dos investimentos mais valiosos que você tem, pois vai socorrê-lo de muito imprevisto, de muito problema. Quando você não tem reserva, qualquer probleminha, por menor que seja, tem potencial de levá-lo para o buraco –e você pode demorar meses ou anos para sair de lá.

Isso porque você fica dependente do cheque especial ou de um empréstimo do banco para salvá-lo em uma eventualidade, e aí os juros são absurdos. Tudo o que você paga de juros para o banco em um mês de cheque especial, que pode chegar a 10% ao mês, é mais caro que o que você vai receber de um rendimento conservador durante um ano. É muita grana.

O que o investimento precisa ter

Hoje temos muitas opções de investimento para a reserva de emergência. Começando pela poupança, passando pelo Tesouro Selic, chegando aos CDBs de liquidez diária. Para escolher qual é o mais adequado para a reserva de emergência, precisamos analisar três fatores.

1. Liquidez

Todos os investimentos para reserva de emergência têm de apresentar liquidez alta, ou seja, você poder retirar seu dinheiro a qualquer momento.

A poupança é a que tem maior liquidez. Você consegue tirar sua grana sempre que precisar. Porém, tem um detalhe que atrapalha muito: se você precisar tirar seu investimento da poupança antes do aniversário dela, você perde todo o rendimento que teve no mês. Essa é uma enorme desvantagem da poupança, já que a rentabilidade dela já é baixa e, além disso, se você precisar retirar antes do aniversário, vai perder dinheiro.

O Tesouro Selic e o CDB têm liquidez diária, ou seja, você pede seu dinheiro num dia e recebe no outro. A desvantagem do Tesouro Selic é que, algumas vezes, o Tesouro Direto fecha as negociações durante o dia por variações na economia do Brasil, o que pode impedi-lo de pedir o resgate do seu capital.

Alguns CDBs de liquidez diária permitem que você receba seu dinheiro no mesmo dia em que solicita o resgate, porém é necessário checar essa regra com a instituição emissora do CDB.

2. Rendimentos

Comparando a rentabilidade dos investimentos, a poupança é o azarão. Ela rende 70% da taxa Selic, mais a taxa referencial (TR). Hoje a TR vale 0% ao mês. Isso significa que, mesmo descontando o Imposto de Renda do Resouro Selic e do CDB, ainda assim eles vão render mais que a poupança.

Lembra que além de tudo a poupança tinha o problema do aniversário? Por esses dois motivos não vale a pena mesmo deixar suas economias na poupança.

O Tesouro Selic rende o mesmo valor que a taxa Selic, ou seja, atualmente rende 4,25% ao ano. Sempre que houver mudança na taxa de juros, o rendimento também se altera.

Os CDBs de liquidez diária geralmente oferecem uma rentabilidade de 100% da taxa CDI ou um pouco mais que isso, como 102% ou 104% da taxa CDI. O CDI é uma taxa usada como referência nos investimentos de renda fixa privados e rende um pouco menos que a taxa Selic –por exemplo, quando a Selic está 4,25%, o CDI rende 4,1%.

A vantagem dos CDBs é que neles não existe cobrança da taxa da Bolsa, como no Tesouro Selic. Essa taxa corresponde a 0,25% do patrimônio total investido no Tesouro Direto por ano. Por esse motivo, os CDBs têm uma rentabilidade um pouco maior que o Tesouro Selic. Em ambos os investimentos, é descontado Imposto de Renda sobre os lucros do seu investimento.

Com a inflação acumulada nos últimos meses de 4,19% ao ano, os investimentos para a reserva estão rendendo quase o mesmo que a inflação (como o Tesouro Selic e os CDBs) ou abaixo dela (como a poupança). Infelizmente, não há muito o que fazer neste caso, já que investimentos que rendem acima da inflação não têm nem a segurança nem a liquidez necessária para este objetivo.

3. Segurança

O Tesouro Selic é o investimento mais seguro do Brasil. CDBs e poupança têm sua segurança atrelada ao banco emissor do investimento –quanto mais sólida é a instituição, mais seguro é o investimento.

Além disso, tanto o CDB quanto a poupança têm proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Essa proteção garante que, se a instituição financeira for à falência, você recebe o seu capital investido de volta. A proteção do FGC é limitada a R$ 250 mil por CPF por instituição financeira, até no máximo R$ 1 milhão, somadas todas as aplicações em instituições protegidas.

Por esses motivos a escolha da aplicação é pessoal e deve levar em conta todos os critérios acima. O mais importante é que você saiba da importância desse valor e que nunca deixe de fazê-lo.

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Sobre a autora

Júlia Mendonça é formada em comércio exterior pela Universidade Positivo. Atuou como planejadora financeira entre 2015 e 2018. Especialista em orientação e planejamento financeiro pessoal, é coach e consultora de finanças, pós-graduada em investimentos, finanças e banking. É influenciadora digital no nicho de finanças e investimentos em um dos maiores canais do assunto na área do Brasil.

Sobre o Blog

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