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Modo sobrevivência: saiba cuidar do dinheiro já para não sofrer na recessão

Júlia Mendonça

01/04/2020 04h00

Imagine aquela cena já famosa em diversos filmes. Um tsunami está prestes a atingir a praia. A onda cresce a cada segundo e a destruição é iminente. Algumas pessoas correm, fazem tudo para alcançar o ponto mais alto da cidade, enquanto outras ficam paradas, pouco entendem a capacidade de destruição da onda.

Neste momento estamos enxergando a onda, a crise causada pelo coronavírus, quase chegando à praia, e o que ela vai destruir agora não é uma cidade, mas sim suas finanças. Você tem duas opções a partir de hoje: cuidar melhor do seu dinheiro agora para evitar o pior ou deixar que a recessão destrua seu orçamento por anos.

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Planejamento de sobrevivência

A partir de hoje, você tem de planejar seu orçamento para passar pela crise de forma tranquila. É o que chamo planejamento de modo de sobrevivência. Algumas das medidas que vou apresentar aqui não são recomendadas normalmente, mas talvez seja necessário você fazer caso sua situação financeira piore muito nos próximos meses.

Sua prioridade nas próximas semanas é a seguinte:
* Descobrir todos os seus gastos;
* Rever seus custos;
* Levantar tudo o que tem de dinheiro;
* Planejar para os próximos meses;
* Criar uma estratégia para não faltar dinheiro;
* Evitar dívidas ou fazer o menor número de dívidas possível.

Se for casado(a), é muito importante que você faça esse planejamento junto de seu esposo ou sua esposa. Os dois precisam colaborar neste momento. Use uma planilha de Excel ou um caderno para fazer todas as anotações a seguir.

O começo

O primeiro passo é descobrir quais são todos os seus gastos essenciais, ou seja, aqueles que vão continuar a acontecer, mesmo com você em casa, de quarentena. Exemplos desse tipo de despesa: luz, água, dívidas, financiamentos, mensalidades de escola ou faculdade, medicamentos de uso contínuo, tarifas de banco.

Alimentação e transporte também entram aqui. A boa notícia é que com a quarentena é bem provável que esses dois custos diminuam bastante. Se você não sabe o quanto vai gastar com alimentação, faça a conta de quanto gastou na última semana e use como base para o mês.

Feito isso, você deve descobrir quais são seus gastos variáveis. Aqui entra tudo o que não precisa fazer para manter seu padrão de vida. Por exemplo: lazer, churrasco no final de semana, roupas, medicamentos de uso urgente. Se você não tem ideia do valor desses gastos, vale a pena pegar o extrato do mês passado para fazer o deste mês.

Vai mudar

Claro que com a quarentena algumas coisas vão ser diferentes. A primeira coisa é que, se você se mantiver saudável, seus gastos variáveis vão cair muito. Você não vai mais ao cinema, a barzinhos, nem fazer churrasco, então esses custos serão praticamente zerados.

No orçamento padrão, que é sempre ensinado usualmente, 30% dos seus gastos mensais são de custos variáveis. O fato é que você deve ter diminuição desses custos, mesmo sem esforço. Algumas pessoas reservam parte do dinheiro para investir. Hoje existem boas ações com preços bons na Bolsa, porém, não recomendo que invista nas ações se não sabe do que se trata. Vale a pena repensar se vale a pena investir nos próximos meses.

Se você tem um trabalho que tem ganhos irregulares, ou acredita que seu salário pode diminuir, ou até mesmo pode ser demitido, recomendo que guarde tudo o que for possível para suportar seus gastos nos próximos meses.

Fazer reajustes

Agora que você tem todos esses custos no papel, está na hora de reajustar seus gastos. Coloque uma coisa na cabeça: agora é hora de sobreviver. Vamos fazer sacrifícios por um tempo para ficarmos tranquilos depois.

A primeira coisa a ser feita é rever os gastos fixos. Você vai passar de gasto por gasto e se perguntar:
Preciso mesmo desse gasto?
Caso a resposta seja não, corte imediatamente.
Caso a resposta seja sim, arrume uma forma de diminuir.

Por exemplo. Você tem um superpacote de telefone. Ligue para a operadora e peça que reduza seu plano. No mercado, ao invés de pegar o sabão de mais caro, pegue o mais barato. Se você tem um pacote de TV a cabo, procure um mais em conta.

Acredito que você vai conseguir diminuir pelo menos em 10% seus gastos fixos se for empenhado. Juntando com o que vai economizar por ficar em casa com os gastos variáveis, seu orçamento deve ficar mais folgado.

Cuidado com novas dívidas

Se você está planejando uma dívida grande para os próximos meses, como uma viagem ou a compra de carro ou casa, o melhor é esperar tudo acalmar. Não se comprometa, pois a economia pode levar anos para se recuperar e, infelizmente, você pode ser afogar em uma compra dessas.

Feito isso, é hora de levantar tudo o que tem de dinheiro. Anote tudo: quanto tem e onde está essa grana. Vale a pena anotar quanto você tem de FGTS. É provável que o governo libere pelo menos parte dele. Anote se tem previdência privada e investimentos e quanto tempo demora para resgatar esses valores. Caso seus ganhos diminuam, você já sabe de onde tirar dinheiro.
Se não tem nada em dinheiro, veja que objetos de valor você tem em casa: joias, celular, roupas, eletrônicos. Talvez seja necessário vender esses bens caso falte dinheiro para pagar contas.

Olhando o futuro

Agora que já temos esses números, vamos planejar os próximos meses. Use como base os gastos que você calculou anteriormente para prever quanto vai gastar daqui para frente. Recomendo que considere 3 meses de quarentena. Pode ser meio exagerado, eu sei, mas prefiro pecar pelo excesso e não pela falta.

Se você tem um emprego estável e acredita que seu salário não vai diminuir nos próximos meses, então pense nele como principal fonte de dinheiro. Se o orçamento já está apertado agora, faça aqueles cortes dos quais falei antes.

Agora, temos de pensar em outras situações. O governo deve autorizar as empresas a diminuir os salários, caso seja necessário. Então, pense nos próximos 3 meses, pelo menos, com essa possibilidade. É chato pensar nisso, mas é melhor economizar agora e não sofrer tanto depois do que ter que ficar passando necessidade daqui um tempo.

Pense em todas opções

Faça as projeções. Se cair seu salário em 50%, por exemplo, como vão ficar as contas da casa? Você vai conseguir pagar tudo? Quanto vai faltar? Você vai precisar usar o dinheiro que está guardado? Se sim, quanto tempo esse valor vai durar? E se você não tiver dinheiro guardado, como pretende gerar caixa?

Você também tem de pensar na possibilidade dos seus ganhos parem totalmente, ou seja, caso seja demitido ou sua empresa pare de funcionar. Caso isso aconteça, é provável que receba o seguro desemprego e o FGTS. Isso vai ajudar você a pagar as contas nos próximos meses.

É muito importante cortar o máximo de gastos possível. Todos os gastos que não vão ser usados para sustentar seu padrão de vida devem desaparecer. É provável que essa crise dure por vários meses e pode ser difícil achar emprego.

Autônomos

Se você é autônomo e seus ganhos vão zerar, é importante começar a pensar desde já em alguma forma de ganhar dinheiro. Faça promoções, use internet, WhatsApp e grupos para divulgar o seu trabalho. Vi que tem muita gente vendendo pacote de serviços antecipado com desconto para ser entregue depois da quarentena. Essa pode ser uma boa opção.

O governo vai liberar linhas de créditos para facilitar quem é empresário. Pode ser uma alternativa se você tem zero de caixa, mas vá com calma. Só estou falando isso porque é uma situação especial. Eu nunca recomendaria isso em nenhuma outra situação se não fosse de crise.

Ações críticas

Se perceber que o dinheiro não vai dar mesmo, que não tem jeito, que não conseguiu arranjar grana, já fez todos os cortes e os boletos estão chegando, está na hora de pensar em ações mais críticas.

Evite ao máximo usar o cheque especial e rotativo do cartão. Sempre fique atento às notícias para descobrir se o governo está oferecendo algum tipo de facilidade para quem precisa. Caso tenha financiamentos e empréstimos, pode usar a opção de pausa oferecida por alguns bancos. Caso isso seja necessário, não aumente seu gasto em outra área, use esse valor para pagar as suas contas essenciais.

A hora de planejar é agora. Não deixe para depois. Espere o melhor, mas esteja preparado para o pior.

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Sobre a autora

Júlia Mendonça é formada em comércio exterior pela Universidade Positivo. Atuou como planejadora financeira entre 2015 e 2018. Especialista em orientação e planejamento financeiro pessoal, é coach e consultora de finanças, pós-graduada em investimentos, finanças e banking. É influenciadora digital no nicho de finanças e investimentos em um dos maiores canais do assunto na área do Brasil.

Sobre o Blog

Dinheiro, finanças e investimentos de um jeito fácil e muito prático. O Descomplique vai fazer com que sobre grana no teu mês (e não o contrário!). Com linguagem simples e sem esconder as armadilhas do dia a dia que te deixam no vermelho, aqui você vai aprender a cuidar melhor do teu dinheiro e fazer com que ele trabalhe para você.

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